acontece que as pessoas que por acaso nascem com duas pernas, dois braços, dois furos no nariz e duas orelhas carecem de ar no peito. e após passarem por um extenso treinamento de como cruzar as pernas, mexer os braços com leveza, respirar sem fazer barulho e ouvir mais do que falar, procuram, incessantemente, por aquele que lhe vai preencher o peito. até aí tudo bem, porque encontram um dois três e há aqueles que ficam com todos. de uma vez. só que um dia se cansam e como se sacudissem a poeira das costas, a pessoa vai embora sem deixar um “adeus” ou um “até a eternidade”. tudo muito simples e fácil. e aquele primeiro que completo nasceu, fica se sentindo metade de nada, coisa nenhuma ou simples sobra de algo.
26.6.2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Nossa casa era feita de madeira não-tratada e por isso, depois de certo tempo, as janelas não fechavam. Pela várzea aberta que ficava, um morcego rompeu o nosso lar. Eu gritei. Para que assim ele soubesse que eu estava lá. Eu gritei porque assim eu poderia dizer que tinha motivos para gritar. Com o ruído agudo que turvava o ambiente ele enloqueceu. Não pude fazer nada. As telas, posteriores, vieram exteriorizar isto: a cela. Você do outro lado da rua me esperava na porta, mas nunca quis entrar.
Do que adianta cortar os pulsos se o mal que quero sangrar guardei em meio aos meus seios? “Te veo toda”, dijo él, pero ahora yo ya no me veo; no me encontro. ¿Dónde estoy? E disse isso olhando fundo nos meus olhos. Qué linda, despeinada. E por um segundo acreditei que poderia ser yo, tuyo: nosostros. Não era nada. Levantei limpando os joelhos recém ralados e, me perguntando se eu gostaria de uma curita, entregou-me um livro de español casto. Para que não soube me dizer, mas sabia que era segredo.
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